terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ALGUNS GOSTAM DE POESIA


[c/: Czeslaw Milosz
Trad.: Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves
In: antologia Alguns gostam de poesia,
Ed.: Cavalo de Ferro, 2004]

Alguns —
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve,
e os próprios poetas

serão talvez dois em mil.


Gostam —
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia —
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012



Em homenagem ao ex-presidente Abraham Lincoln e a propósito da celebração dos seus 203 anos, foi construída, no Ford’s Theatre Center for Education and Leadership, uma pilha de livros versando a vida e a obra do presidente americano que aboliu a escravatura e conseguiu manter a coesão nacional durante a guerra da Secessão.

A imagem, impressionante, [a última palavra sobre esta personalidade não será nunca pronunciada…] de uma torre com mais de 10 metros de altura que recolhe cerca de 15 mil títulos, tem sede no instituto cultural implantado no bairro onde Lincoln foi assassinado.


http://www.sobrelivros.com.br/torre-de-livros 



http://en.wikipedia.org/wiki/Have_You_Got_Any_Castles%3F

A história desenrola-se numa biblioteca com personagens que se animam a partir de obras de ficção conhecidas, quer da literatura clássica quer da mais moderna.
 Rip Van Winkle  não consegue continuar a dormir com tanto barulho e só quando aparece The Hurricane é possível varrer com todos os barulhentos de volta para as capas dos respectivos livros. Só assim pode voltar a dormir sossegadamente.

Produção - Leon Schlesinger
História - Jack Miller
Animação -  Ken Harris

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Sábado, 25 de fevereiro
 FEIRA DO LIVRO INFANTIL

O programa começa com a Feira do Livro Infantil, por volta das 15h, ocasião em que se poderá proceder à troca de livros (a clínica terá diversos livros disponíveis para troca, e cada criança poderá trazer um ou mais livros para trocar com os outros participantes). Segue-se o Conto do ContoO coração e a garrafa”, cuja interpretação está a cargo da formadora Leonor Tenreiro, que também dinamizará, pelas 16h, um Workshop de Escrita Criativa para crianças a partir dos 6 anos. Os pais poderão/deverão participar nas três actividades deste dia.
O Estatuto do Cidadão no Sistema de Cuidados de Saúde
CONFERÊNCIA - 24 de Fevereiro, das 17.00h às 18.30h
Prof. Doutor José Amendoeira
Coordenador da Unidade de Enfermagem de Lisboa do ICS-UCP





Universidade Católica Portuguesa
Auditório A2, Piso -1,
Edificio da Faculdade de Ciências Humanas
Palma de Cima | 1649-023 Lisboa
Inscrição AQUI

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

in: http://www.espalhafactos.com
Pelo reconhecimento de que a rádio desempenha um papel fundamental em diversos aspectos da vida quotidiana das populações, desde a educação, ao exercício da liberdade de expressão, ao fomento do debate público, à agilização comunicacional, a Conferência Geral da UNESCO proclamou o ano de 2012 como o primeiro ano de celebração mundial da rádio, no dia 13 de Fevereiro ["uma oportunidade para chamar a atenção para o valor do rádio, que ainda é o melhor meio para alcançar a mais ampla audiência”].
No dia 13 de Fevereiro de 1946 foi, pela primeira vez e para seis países, emitida a UNITED NATIONS RADIO

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

http://www.pervegaleria.eu/home/index.php/portugal-e-lusofonia/category/51-Cruzeiro%20Seixas.html
“As Galerias Perve, em Alfama e Alcântara, inauguram no próximo dia 9 de Fevereiro uma exposição antológica dedicada à vida e obra plástica de uma das figuras primeiras do movimento surrealista português: Cruzeiro Seixas, que completou recentemente o seu 91º aniversário.
A exposição, que decorre até ao dia 24 de Março de 2012, congrega um vasto conjunto de obras exemplificativas do percurso do autor. Retrocede ao final dos anos 40 do século XX, momento em que, juntamente com Mário Cesariny e demais companheiros, Cruzeiro Seixas fundava o anti-grupo português “Os-Surrealistas”; recorda a sua passagem por África nos anos 50 e 60 e o seu posterior regresso a Portugal (…)”

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


Ficam, a este propósito, alguns excertos da renomeada 'ARTE DE INJURIAR', do ensaio 'História da Eternidade' que traz à luz uma irresistível e única dimensão do insulto.


Arte de injuriar

Um estudo preciso e fervoroso de outros gêneros literários fez-me crer que a
injúria e a zombaria valeriam necessariamente algo mais.
(…)
Um al
fabeto convencional da afronta define também os polemistas. O título
'senhor', de omissão imprudente ou irregular nas comunicações orais dos
homens, é ofensivo quando o imprimem. 'Doutor' é outra forma de aniquilação.
Mencionar os sonetos 'cometidos' pelo 'doutor' Lugones equivale a medi-los
mal para sempre, a refutar cada uma de suas metáforas.

(…)
Cometer um soneto, emitir artigos. A linguagem é um repertório dessas
afrontas convenientes, que são o principal sustento das controvérsias. Dizer
que um literato expeliu, cozinhou ou grunhiu um livro, é uma tentação fácil
demais; ficam melhor os verbos burocráticos ou comerciais: despachar, dar
curso, despender. Essas palavras áridas combinam-se com outras efusivas, e a
vergonha do adversário é eterna. A uma pergunta sobre um leiloeiro que era,
não obstante, declamador, alguém inevitavelmente comunicou que estava
rematando com energia a 'Divina Comédia'. (…) O verbo 'rematar' (reduplicado pelo
adverbial 'com energia') dá a entender que o incriminado senhor é um
irreparável e sórdido leiloeiro e que seu esforço dantesco é um disparate.

(…)
Uma das tradições satíricas (não desprezada nem por Macedonio Fernández nem
por Quevedo nem por George Bernard Shaw) é a inversão incondicional dos
termos. Segundo essa fórmula corajosa, o médico é inevitavelmente acusado de
exercer a contaminação e a morte; o escrivão, de roubar; o verdugo, de
fomentar a longevidade; os livros de ficção, de adormecer ou petrificar o
leitor; os judeus errantes, de paralisia; o alfaiate, de nudismo; o tigre e
o canibal, de não passar sem o ruibarbo. Uma variante dessa tradição é o
dito inocente, que finge às vezes aceitar o que está fulminando. Por
exemplo: 'O festejado catre de campanha sob o qual o general ganhou a
batalha.' Ou: 'Um encanto o último filme do hábil diretor René Clair. Quando
nos acordam...'

Outro método útil é a mudança brusca. Por exemplo: (…)

esta quadra da Andaluzia, que num segundo passa
da informação ao assalto:

Vinte e cinco pauzinhos
Tem uma cadeira.
Queres que a quebre
Nas tuas costelas?


(…) Defender de fato uma causa e esbanjar os exageros
trocistas, as falsas caridades, as concepções traicoeiras e o paciente
desdém, não são atividades incompatíveis, mas sim tão diferentes que ninguém
as associou até agora. Busco exemplos ilustres. Empenhado em arrasar com
Ricardo Rojas, o que faz Groussac? Isto que transcrevo e que todos os
literatos de Buenos Aires saborearam. 'Assim é que, por exemplo, depois de
ouvidos com resignação dois ou três fragmentos em prosa pedante de certo
calhamaço, publicamente aplaudido pelos que mal o abriram, considero-me
autorizado a não prosseguir, atendo-me, por hora, aos sumários ou índices
daquela copiosa história do que organicamente nunca existiu. Refiro-me em
especial à primeira e mais indigesta parte da mole (ocupa três dos quatro
volumes): balbucios de indígenas ou mestiços...' Groussac, nesse exuberante
mau-humor, cumpre com o mais fervoroso ritual do jogo satírico. Simula
piedade pelos erros do adversário ('depois de ouvidos com resignação');
deixa entrever um espetáculo de uma cólera brusca (primeiro a palavra
'calhamaço', depois 'a mole'); vale-se de expressões laudatórias para
agredir (essa história 'copiosa'); enfim, joga bem a seu modo. Não comete
pecados na sintaxe, que é eficiente, mas sim no argumento que indica.
Reprovar um livro pelo tamanho, insinuar que ninguém vai se animar a ler
esse tijolo e acabar professando indiferença pelas sensaborias de uns
chineses e mulatos, parece resposta de 'compadrito' [2], não de Groussac.

(…)

Swift, homem de essencial amargura, propôs-se, na crônica das viagens do
capitão Lemuel Gulliver, a difamação do gênero humano. (…) A terceira, a mais
divertida, zomba da ciência experimental mediante o processo já mencionado
da inversão: os desmantelados laboratórios querem disseminar ovelhas sem lã,
usar gelo para fabricar pólvora, amolecer mármore para almofadas, martelar o
fogo em lâminas finas e aproveitar a parte nutritiva contida na matéria
fecal. (Esse livro inclui também uma página importante sobre os
inconvenientes da decrepitude.) A quarta viagem, a última, pretende
demonstrar que as bestas valem mais que os homens. Mostra uma virtuosa
república de cavalos falantes, monógamos, isto é, humanos, com proletariado
de homens quadrúpedes, que vivem em bando, escavam a terra, agarram-se ao
ubre das vacas para roubar o leite, descarregam seu excremento sobre os
outros, devoram carne podre e cheiram mal. A fábula é contraproducente, como
se vê. O resto é literatura, sintaxe. Diz na conclusão: 'Não me cansa o
espetáculo de um advogado, de um ladrão, de um coronel, de um bobo, de um
lorde, de um trapaceiro, de um político, de um rufião.' Certas palavras,
nessa variada numeração, estão contaminadas pelas vizinhas.

(…),

Procuro resumir o que escrevi anteriormente. A sátira não é menos
convencional que um diálogo entre namorados, ou que um soneto distinguido
com a flor natural por José Maria Monner Sans. Seu método é a intromissão de
sofismas, sua única lei a invenção simultânea de boas travessuras. Ia
esquecendo: tem, além disso, a obrigação de ser memorável.

(…)
Uma tradição oral que recolhi em Genebra durante os últimos anos da Primeira
Guerra Mundial, conta que Miguel Servet disse aos juízes que o haviam
condenado à fogueira: 'Arderei, mas isso não passa de um fato. Logo
continuaremos a discutir na eternidade.'

domingo, 5 de fevereiro de 2012


"Produção do Teatro da Garagem, com encenação e concepção plástica de Ana Palma e Carlos J. Pessoa, interpretação de Ana Palma, Carolina Sales, Fernando Nobre, Maria João Vicente, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro e adolescentes do Clube de Teatro Jovem do Teatro da Garagem, dramaturgia de Ana Palma e Maria João Vicente, cenografia e figurinos de Sérgio Loureiro, música de Daniel Cervantes.

Em L.A., cujo conceito inicial decorre dos diários dos dois jovens responsáveis pelo massacre de Columbine, procura-se localizar a possibilidade geradora de uma visão de humanidade e do sublime na transparência cristalina da palavra que é proferida. Esta palavra é sobre o ímpeto destrutivo da cólera e da guerra. Imaginámos o que aconteceria se a forma da Ilíada, narrativa fundadora da civilização ocidental, mas também texto sobre a mãe de todas as guerras, nascida, porém, de um episódio pessoal e caprichoso, seguisse literalmente o seu conteúdo e dela apenas restassem fragmentos. O que temos são bocados de texto lacerado, como o cheiro da carne na refrega do recontro letal, o rosnar ufano do viril animal bélico, os restos de heróis que almejaram ser deuses, a palavra vibrante da ordem e a palavra soprada do lamento. "

http://www.teatrodagaragem.com