segunda-feira, 16 de julho de 2012


"Os olhos cegam as pessoas.
Tiram-lhes o poder de verem para lá das imagens" (*)



Com sede no espaço DIZPENSA, o Grupo Cassefaz associou-se ao projeto A-das-Mercês,  criado pelas pessoas do Bairro das Mercês, em Lisboa e diz e pensa através de espectáculos de proximidade que partem de personalidades ou imaginários da vida do bairro.
Nesta acepção, Ruben Alfredo Andresen Leitão tem nome numa das ruas e constitui-se como foco da atenção do grupo que organizou um ciclo dedicado à personalidade e à obra do autor -"Olhos cegos que vêem" o qual inclui uma peça de teatro, "Triálogo", de Ruben A. Leitão, um debate, uma feira do livro e uma emissão de rádio ao vivo.
Sinopse (abreviada) - “(…) Luís de Camões está cansado. Os portugueses obrigam-no a trabalhar numa Repartição Pública, para ganhar a vida. Não pode casar com a sua namorada, uma Lady Inglesa, porque ela não sabe se o marido está vivo ou morto (…) Entre o divertimento teatral e uma profunda reflexão sobre a identidade portuguesa, TRIÁLOGO (1951) é um desafio ao espetador, convidando-o a participar na descoberta do texto ou, simplesmente, a deixar-se levar pelo ritmo, pelo absurdo ou pela ironia contagiante.”

Dramaturgia e Encenação: Maria João Rocha / Atores: Pedro Loureiro, Rodrigo Pereira e Sara da Graça

Sextas, Sábados e Domingos até 29 de Julho de 2012
entre as 16h00 e as 18h30 uma Feira do Livro com obras de Ruben A. Leitão
Triálogo – Peça de teatro – às 19.00H e às 20.00H
21 de Julho, 21h30, Emissão de Rádio, ao Vivo, com leitura e análise da obra do autor
Financiada pela Direção-Geral das Artes


sexta-feira, 13 de julho de 2012



De uma crónica de Thereza Christina Rocque da Motta, in A vida dos livros (Ibis Libris, 2010)

O espírito dos livros

"José Mindlin, imortal e bibliófilo, falecido há duas semanas, deixou-nos um legado perene: perpetuar os livros, pois, para ele, "os livros não desaparecerão jamais". Já outro bibliófilo, semiólogo e escritor italiano, Umberto Eco, os 30.000 livros de sua biblioteca são "os que ainda irá ler, senão, por que os guardaria?"

Piadas à parte, a verdade é que os livros cumprem um destino insólito: de preservar tudo o que o homem imaginou. Sem eles, nada saberíamos sobre egípcios e sumérios, babilônios e gregos, isso para citar os mais antigos, pois desde a invenção da imprensa, popularizaram-se as publicações de tal forma que praticamente todos podem realizar o sonho de publicar um livro.
 […] Quando pensamos nos primeiros livros impressos, temos a sensação de estar diante de um milagre.
Outro aspecto me chama a atenção: a sina da perseguição. Livros já foram proibidos, queimados, banidos, indexados, destruídos e, claro, lidos às escondidas. Há um temor e um assombro em relação a eles, seja pelo que trazem ou pelo que nos revelam. [...]

Por tudo isso, todos que um dia colaboraram em relação aos livros, seja criando bibliotecas, contrabandeando-os, guardando-os em lugar seguro, salvando-os de um incêndio ou de uma enchente, são dignos de um prêmio. O exemplo de Midlin deve multiplicar-se, o de Eco, proliferar-se, todos deveríamos ter 30.000 livros ainda por ler.
 […]
Um dos depoimentos mais fantásticos que ouvi foi o de um contista, Mariel Reis, ao dizer que crescera numa casa sem luz, e que se refugiava na biblioteca do bairro durante o dia para poder ler. Ali podia encontrar todos os autores que queria: aquele era o seu paraíso. Ele escreve como poucos autores contemporâneos que conheço. É de tirar o fôlego. A literatura salvou-o.

Ainda menina, aos dez anos, li uma crônica de Cecília Meireles e foi a primeira vez que vi o que estava escrito: chamava-se "A arte de ser feliz" e ela descrevia a pomba que pousava num globo de louça azul que, por vezes, ficava da mesma cor do céu e assim a pomba parecia estar pousada no ar... Estava fazendo uma leitura silenciosa durante a aula no quarto ano primário do Chapeuzinho Vermelho, levantei a cabeça... e vi a pomba no ar!

O que um livro contém só faz sentido para quem o lê. Esse é o espírito do livro, que vive em nós depois que o lemos, que continua falando conosco muito tempo depois de tê-lo perdido em alguma mudança ou de uma separação. A biblioteca semovente que nos acompanha são os livros que guardamos, os que damos de presente, os que perdemos, os que esquecemos e só reencontramos nos sebos.

Ontem, na TV, um homem anunciava que alguém havia jogado na lata de lixo em Nova York uma primeira edição de "Alice no País das Maravilhas", encadernado em couro vermelho, com bordas douradas, que valia quinze mil dólares! Quem o encontrou, guardou-o num cofre. Esta edição só não vale mais do que a feita pelo próprio Lewis Carroll para presentear a Alice Liddell.


 Além do sentido para quem o lê, há para quem ouve falar do livro - por quanto tempo procuramos um livro que queremos ler? Às vezes, uma vida inteira. E ao encontrá-lo, novamente volto a Mindlin, é como se encontrássemos um velho amigo que perdemos de vista há muito tempo.
 […]
 O espírito dos livros sempre pairou sobre as águas. E criou, à sua imagem e semelhança, os livros que lemos."

[A este texto foram retiradas pequenas passagens apenas por economia de espaço e que se presumiu não deturparem, na ausência, a essência e a fulgurância do seu conteúdo.]

terça-feira, 10 de julho de 2012



 Tradução: Cristina Robalo Cordeiro
Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra
Edição: 1.ª / Data: Maio 2010

"A obra foi escrita para satisfazer uma encomenda do livreiro René Hilsum para que Paul Valéry escrevesse 24 poemas em prosa cuja inicial fosse cada uma das letras do alfabeto, retirando desse “alfabeto” o K e o W por serem raras as palavras francesas com essas iniciais. Valéry aproveitou a ausência das duas letras para encaixar os seus textos nas 24 horas do dia, fazendo-as “corresponder a um estado e uma ocupação ou uma disposição da alma diferente”. 


"Em presença da luz e todavia fora dela (...)
Ó momento, fora de ti não sou mais que detalhes, não 
sou mais que um fragmento daquilo que posso, fora de ti 
não sou mais que eu! Belo instante, sacada do tempo, tu 
sustentas por meio de um homem um olhar de universo, 
uma parcela daquilo que existe contra toda coisa. Respiro 
em ti uma potência indefinível, tal como a potência que 
há no ar antes da tempestade."

sexta-feira, 6 de julho de 2012




"2012 é um ano importante na vida do Curtas Vila do Conde. Chegamos à 20ª edição e preparamos uma programação para celebrar estes vinte anos mostrando o melhor do cinema contemporâneo. Como corolário, mesmo perante a crise que atravessa o setor, a Curtas Metragens CRL está a produzir 10 novos filmes, 8 dos quais serão apresentados em estreia mundial no decorrer desta edição. Será, portanto, um ano para celebrar também o cinema português."





http://festival.curtas.pt/programa/2012/curtinhas/

terça-feira, 3 de julho de 2012




Com financiamento do Plano Operacional de potencial Humano e ideia do Agrupamento Vertical de Escolas do Sudeste doconcelho de Baião e com o intuito apreciável de promover e generalizar os hábitos e a prática de leitura no seu universo escolar, foi feito o lançamento de um livro de ‘contos’ Um dois três uma história de cada vez, que reúne quarenta histórias de autores diversos, ilustrado pela aluna Ana Margarida Almeida que foi, na edição de 2012, uma das brilhantes vencedoras do Concurso Nacional de Leitura, como sabem uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura. Aqui fica o início de um dos contos, que faz sede, do André Marante, 7º B da EB2,3/SMZ e a ilustração da capa, a querer ver as outras, da Ana.   


Estrela cadente ou 
meteoro?

Numa daquelas noites quentes de verão e muito estreladas em que pasmamos a observar o céu e a ouvir o som dos grilos, eu lembro que sou um dos felizardos que ainda pode fazer isso já que tenho a sorte de morar numa região lindíssima, Renato, o meu melhor amigo, sentado na soleira da porta da minha coziinha, disse-me:
- Olha, uma estrela cadente...pede um desejo.
Eu já tinha ouvido falar nas aulas de Ciências  que as estrelas cadentes, isto é, os meteoros, é assim que a minha professora de Ciências faz questão que chamemos às estrelas cadentes, não são mais do que um fenómeno luminoso que acontece na atmosfera. Mas, também, desde pequenino, ouço as várias histórias  que a minha avó conta e, entre os vários ensinamentos dela, um deles diz que quando virmos uma estrela cadente, temos de fazer um pedido.
(...)