terça-feira, 28 de maio de 2013

55ª BIENAL DE VENEZA
1 de Junho a 24 de Novembro de 2013

Desdobrada por disciplinas diferentes e com curadoria de Massimiliano Gioni, a bienal contará com 150 artistas de 37 países, além dos que expõem nos 38 pavilhões nacionais.
Arquitetura - Mostra Internacional de Arquitetura

Arte - Exposição Internacional de Arte
Cinema - Festival Internacional de Cinema de Veneza (Leão de Ouro)
Dança - Festival Internacional de Dança Contemporânea
Música - Festival Internacional de Música Contemporânea
Teatro - Festival Internacional de Teatro
ASAC - Archivio Storico delle Arti Contemporanee (conservação do patrimônio da Bienal)

Portugal estará representado pelo projecto ‘Trafaria Praia’, de Joana Vasconcelos, que será comissariado por Miguel Amado. O pavilhão tem a forma de um cacilheiro que, durante a Bienal, navegará na lagoa de Veneza, entre a estação de “vaporetto” dos Giardini e a Punta della Dogana.


De assinalar, nesta edição, a presença, pela primeira vez, de um pavilhão do Vaticano cujo tema será a criação do mundo, na perspectiva do Génesis, e desdobrado em três áreas: a “criação”, a “descriação” e a “recriação” através das obras de Studio Azzurro, Josef Koudelka e Lawrence Carroll.

quarta-feira, 22 de maio de 2013



A 83.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, a decorrer entre 23 de Maio e 10 de Junho de 2013, no Parque Eduardo VII, é organizada pela APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e tem o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.
Como sempre, da sua programação constam debates, apresentações de obras, lançamentos e sessões de autógrafos sendo de considerar os eventos dedicados às famílias e às crianças.

Nesta edição destacam-se:

– Pavilhão da CPLP por onde passarão nomes relevantes das literaturas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

- A iniciativa Clube de Leitura que, reunirá os visitantes interessados na leitura em coletivo bem como na troca e partilha de ideias e saberes. Em todas as sessões haverá um livro para debate o que acontecerá já no próximo dia 25, às 17.00H com o livro Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro

- Este ano, por iniciativa do British Council e com a colaboração do EUNIC (European Union National Institutes for Culture), a Feira do Livro de Lisboa receberá uma extensão da Conferência de Edimburgo, considerada o maior evento literário de todo o mundo, que reúne escritores em debate sobre o papel da literatura na atualidade 

- Para o Dia da Criança (1 de Junho) e Dia do Ambiente (5 de Junho), estão previstas atividades especiais dedicadas aos mais novos.

“A Noite de Literatura Europeia invade o Bairro Alto, o Chiado, o Príncipe Real e o Rato.
A primeira noite branca da literatura europeia decorre entre as 18h30 e as 22h30 simultaneamente em oito espaços da cidade – uma maratona de curtas leituras e dramatizações em língua portuguesa de obras de autores europeus contemporâneos. Atores e, em alguns casos, escritores dão corpo e voz aos textos. As leituras, de 15 minutos, repetem-se a cada meia-hora, de forma a permitir ao público visitar todos os locais e assistir ao programa completo (…)”

British Council - Keith Ridgway - Centro Nacional de Cultura
Goethe Institut - Wolfgang Herrndorf - Elétrico 28
Instituto Camões - Afonso Cruz - Galeria Zé dos Bois
Instituto Cervantes - Carme Riera - Museu da Farmácia
Instituto Cultural Romeno - Lucian Vasilescu - Orpheu Caffé
Instituto Ibero - Americano da Finlândia - Rosa Liksom - Quartel do Carmo
Instituto Italiano de Cultura - Massimo Gramellini - Mãe d’Água
Institut Français du Portugal - Mathias Énard - Convento dos Cardais




The Doors - Riders On The Storm 

terça-feira, 21 de maio de 2013





Natureza Das Coisas

PEDRO MOTTA, vencedor da 9ª edição do prémio BES photo, iniciativa do Banco Espírito Santo em parceria com o Museu Coleção Berardo.


(…) Culture, in all its diversity, can foster a sense of identity and cohesion for societies at a time of uncertainty. It is also a powerful source of creativity and innovation. No development can be sustainable without it (…)

[Message from Ms Irina Bokova,Director-General of UNESCO, 21 May 2013]


Com início em 2001, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estabeleceu o dia 21 de Maio como Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, no mesmo ano em que foi feita a Declaração Universal da Unesco sobre a Diversidade Cultural. Em 2005, a Assembléia Geral da Organização adotou a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais a que, até ao momento, já aderiram 109 países.
Decorre entre 17 e 27 de Maio o Festival Internacional da Diversidade que, na sede da Unesco, em Paris e com eventos a ser realizados simultaneamente em outros países, se caracteriza por realizações correspondentes ao espírito da diversidade cultural. 

No ano Europeu do Diálogo Intercultural, 2008, o Conselho da Europa fundou uma rede de cidades europeias que acolheram e desenvolveram políticas interculturais conducentes a  uma correta integração dos imigrantes e ao respeito pela diversidade. Em Portugal  está, igualmente, criada a Rede Portuguesa de Cidades Interculturais que é um projecto do Conselho da Europa e da União Europeia.


sexta-feira, 17 de maio de 2013



CAPÍTULO
2

UM ARTIGO DO DAILY TELEGRAPH – GUERRA ENTRE JORNAIS – O SR. PITTERMANN APOIA O SEU AMIGO DR. FERGUSSON – RESPOSTA DO SÁBIO KONER – DIVERSAS QUESTÕES POSTAS AO DOUTOR


No dia seguinte publicava o Daily Telegraph, no seu número de 15 de janeiro, um artigo concebido nestes termos:

"O segredo das vastas solidões da África vai ser enfim conhecido. Um novo Édipo vai dar-nos a chave do enigma que os sábios de sessenta séculos não descobriram ainda. Outrora, descobrir as nascentes do Nilo, fontes Nili querrene, não passava de tentativa insensata, de uma irrealizável quimera.
O Dr. Barth, o Dr. Livingstone e os capitães Burton e Speke abriram três grandes vias de civilização moderna: o primeiro, seguindo o caminho traçado por Denham e Clapperton até o Sudão; o segundo, multiplicando as suas investigações desde o cabo da Boa Esperança até a baía do Zambeze; os últimos, finalmente, em virtude da descoberta dos grandes lagos interiores. No ponto de interceção destas três linhas, onde ainda não pôde chegar viajante algum, lá é o coração da África. É para ele que devem convergir todos os esforços.
Ora, são os trabalhos destes valentes soldados da milícia cientifica que o Dr. Samuel Fergusson, cujas descobertas já por muitas vezes os nossos leitores têm apreciado, pretende, audazmente, ligar.
Este intrépido descobridor propõe-se atravessar num balão toda a África, de leste a oeste. Se estamos bem informados, o ponto de partida desta viagem inaudita deve ser a ilha de Zanzibar, em frente da costa oriental. Só à Providência é lícito saber qual será o ponto da chegada.
A proposta desta exploração científica foi ontem dirigida oficialmente à Real Sociedade de Geografia; votou-se a quantia de duas mil e quinhentas libras para os gastos da empresa. Contamos ter os leitores ao corrente deste cometimento, sem precedentes nos fastos geográficos.” 

saber mais

quinta-feira, 16 de maio de 2013



“(…) acontece todos os sábados, das 10H00 às 19H00, na Guilherme Cossoul de Campolide: Rua Professor Sousa da Câmara, 156 – Campolide (às Amoreiras).
Nesta feira, que oferece ao público mais de 1500 livros, para além da Poesia e da Banda Desenhada (que são a grande maioria), há também Revistas Literárias, Livros Infantis, Fanzines, Livros de Teatro, entre outros.
A Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada tem ainda uma secção exclusivamente dedicada a Cabo Verde, com livros de poesia e prosa de autores cabo-verdianos contemporâneos.
Na Feira têm acontecido vários eventos como lançamentos, tertúlias e sessões de autógrafos(...)"


in:
http://porosidade-eterea.blogspot.pt/2013/04/feira-do-livro-de-poesia-e-bamda.html
in: http://joaocamaral.blogspot.pt/2013/05/festival-de-bd-de-beja-vem-ai.html

quarta-feira, 15 de maio de 2013





O Vermelho e o Negro



Primeira parte
Julien Sorel torna-se acólito do cura Chélan e, por intermédio deste, tutor dos filhos do Sr. de Rênal, prefeito de Verrières.
Julien Sorel e a Sra. de Rênal tornam-se amantes e são denunciados por Elisa, a camareira. O Sr. de Rênal recebe uma carta anônima com a mesma denúncia e Sorel vai para o seminário de Besançon de onde, sob a protecção do abade Pirard, parte para ocupar o lugar de secretário do Marquês de La Mole.
Segunda parte
Narra a vida de Sorel com a família do senhor de La Mole e no envolvimento da alta sociedade parisiense da época.
Por incumbência do seu protector, Sr. de La Mole, parte para uma missão perigosa em Inglaterra, com o fim de retransmitir, de memória, a um destinatário que não conhece, uma certa carta política de que não compreende o sentido.
Mathilde de La Mole envolve-se, por duas vezes com Sorel sobre quem, no entanto, alimenta sérias dúvidas. Este, aconselhado pelo príncipe russo Korasov, concebe um plano para a conquistar que resulta plenamente, fazendo com que ela acabe por revelar que está grávida.
O Sr. de La Mole concede a Sorel uma propriedade, um título de nobreza e um lugar no exército mas, no momento em que decide abençoar o casamento entre os dois, recebe uma carta da Srª. de Rênal, que adverte para o facto de Sorel não passar de um oportunista que se aproveita das mulheres vulneráveis, o que o faz alterar a sua decisão.
Ao saber disto, Sorel dispara contra a sua ex-amante, durante uma missa, o que faz com que seja condenado a morte. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013




New Art Dealers Alliance

      "The second edition of NADA NYC will take place May 10-12 on Pier 36 at Basketball City located at 299 South Street on the East River.
NADA’s non profit model has always been a flexible and adaptable one, which continues to respond to the needs of its exhibitors and the art world at large by creatively reinventing the experience and presentation of art in a fair enviornment. NADA NYC is dedicated to showcasing new art, and to celebrating the rising talents from around the globe."
pt-br.facebook.com/livrariabarata

terça-feira, 7 de maio de 2013



GRANTA

Revista literária inglesa vai ter edição portuguesa publicada pela editora Tinta da China (Barbara Bulhosa) e periodicidade semestral, dirigida por Carlos Vaz Marques.

O primeiro e o segundo números sairão em Maio e Dezembro de 2013, respectivamente.
Bárbara Bulhosa explicou que “50 por cento dos conteúdos da edição portuguesa serão dos arquivos da Granta britânica, incluindo os textos mais recentes”, a que terá acesso, “apesar de ter completa autonomia”. Os restantes 50 por cento de cada número serão preenchidos com textos de autores portugueses, subordinados ao tema escolhido.

“Fundada em 1889 por estudantes da Universidade de Cambridge como The Granta, um periódico de política, humor e iniciativa literária estudantil, baptizado com o nome do rio que banha a cidade, a revista publicou, entre outros, os primeiros trabalhos de Sylvia Plath e Ted Hughes, tendo renascido em 1979 como Granta, divulgando a obra de muitos escritores que viriam a ser internacionalmente reconhecidos.”[Lusa]

FATAL 2013



Sob o lema da transformação, o Fatal [Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa] celebra a sua 14.ª edição com o intuito de intervir na sociedade através das artes. Esta edição alberga a maior programação de sempre e decide-se ocupar os finais de tarde e as noites de Abril em momentos de verdadeira e sugestiva “fruição teatral - O FATAL une, (…), todas as possibilidades criativas de um festival feito por jovens, instalando em Lisboa, ao longo de quase um mês, um espírito de irreverência transformadora e construtiva”.
Com um programa pluridisciplinar, o FATAL apresenta, de 7 a 25 de Maio, uma programação com três categorias distintas:
 “Competição” - 13 espectáculos nacionais de teatro universitário que estão a concurso, sempre às 21h30, no Teatro da Politécnica.
Mais FATAL” - grupos que, não tendo sido seleccionados para a “Competição”, vêm a Lisboa mostrar as suas mais recentes encenações. Nesta categoria estreiam nove espectáculos nacionais, às 19h, no mesmo local.
 “FATAL Convida” - espectáculos de grupos nacionais e estrangeiros convidados a apresentar os seus trabalhos nesta edição.
DESTACA-SE, ao longo do mês de Abril, uma residência de criação artística com a encenadora Susana Vidal, em colaboração com o poeta Miguel Manso, cujo resultado final será apresentado no festival.

segunda-feira, 6 de maio de 2013




Da PROGRAMAÇÃO do mês de Maio 2013

«Descobrir o Mundo dos Livros» - às Terças – feiras (é preciso marcar)

Visitas  guiadas  à  Biblioteca  Municipal,  para se conhecer o fundo documental e serviços ao dispor dos utilizadores.

 
Dia 25 de maio

II Encontro com os Escritores e Jornalistas do Alto Tâmega, Barroso e Galiza
Biblioteca Municipal de Chaves
das 9h30 às 18h00
Organização -
Fórum Galaico-Transmontano




quinta-feira, 2 de maio de 2013



Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

Herberto Hélder
in Ou o Poema Contínuo
Assírio e Alvim, 2001