segunda-feira, 30 de setembro de 2013







Actividades:

·         Funções da narração oral (conta contos) para crianças, jovens e adultos
·         Oficinas de animação da leitura
·         Ateliês de narração oral para professores e bibliotecários
·         Debate e troca de ideias em torno das dimensões plurais da narração oral


As actividades, todas abertas e gratuitas, desenrolar-se-ão na comuna e na Universidade Santo Tomás,  ‘Casa en el Aire’ e  Centro Cultural Gabriela Mistral.
“A pátria é a infância”


“La Atrevida”
II Concurso Internacional de Escritores Lusófonos
 Infanto-Juvenis 



“Caros amigos,

Através desta carta queremos convidar-vos a participarem no II Concurso Internacional de Escritores Lusófonos Infanto-Juvenis “La Atrevida”, organizado por La Atrevida com o apoio da CML/BLX e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, através do programa BIS.

Consideramos que a literatura infantil escrita por crianças é um terreno fértil que, até à data, não está a ser devidamente desenvolvida ou defendida por parte de editoras ou organismos oficiais.

Com esta iniciativa pretendemos, não só fomentar o hábito da escrita entre as crianças, mas também estabelecer, através de futuras ações, a possibilidade de realizar um concurso anual no qual as crianças de entre 8 e 14 anos sejam os verdadeiros protagonistas: autores e leitores das suas próprias histórias, no seu processo de constituição como seres pensantes, criativos e, sobretudo, livres.

Este Concurso é o espaço onde todos poderemos contribuir para colmatar esta lacuna.

Se pertencem ao colectivo de profissionais sobre os que recai a responsabilidade sempre inacabada e inabarcável da educação das gerações vindouras - são pais, mães, pedagogos, tutores, mestres, professores, preceptores ou qualquer das diferentes acepções da palavra educador - confiamos em vós para, juntos, podermos finalmente dar a palavra a quem a está a descobrir, verdadeiramente.

Estão, desde já, oficialmente convidado a participar, junto com as vossas crianças, neste
II Concurso Internacional de Escritores Lusófonos Infanto-Juvenis “La Atrevida”

Bem-vindos todos à aventura literária mais bonita jamais contada...

E lembremo-nos sempre,

“A pátria é a infância”
Rainer Maria Rilke


Lisboa, Setembro de 2013”

As musas cegas, VII


Bate-me à porta, em mim, primeiro devagar.
Sempre devagar, desde o começo, mas ressoando depois,
ressoando violentamente pelos corredores
e paredes e pátios desta casa
que eu sou. Que eu serei até não sei quando.
É uma doce pancada à porta, alguma coisa
que desfaz e refaz um homem. Uma pancada
breve, breve -
e eu estremeço como um archote. Eu diria
que cantam, depois de baterem, que a noite
se move um pouco para a frente, para a eternidade.
Eu diria que sangra um ponto secreto
do meu corpo, e a noite estala imperceptivelmente
ou se queima como uma face. Escuta:
que a noite vagarosamente se queima
como a minha face.

Essa criança tem boca, há tantas finas raízes
que sobem do meu sangue. Um novo instrumento,
uma taça situou-se na terra, e há tantas
finas raízes que sobem do meu sangue. E uma candeia,
uma flor, uma pequena lira,
podem erguer-se de um rio de sangue, sobre o mundo -
um novo instrumento rodeado pelas campânulas
inclinadas, por ligeiras pedras húmidas,
pelos animais que movem no seu calmo halo de fogo
as grandes cabeças sonhadoras.

Essa criança dorme sobre os meus lagos de treva.
Pensei algumas palavras para oferecer-lhe. Esqueço-me
tantas vezes dos mistérios dessa porta.
Porque então é muito estreita com seus espelhos
detrás, como o vestíbulo frio.
Mas é tão belo uma criança ainda enevoada,
uma criança que ascende como uma
grande música
desta rede de ossos, deste espinho do sexo,
da confusa pungência, escuta: da pungente
confusão
de um homem restrito com a sua vida tão lenta.

Essa criança é uma coisa que está nos meus dedos.
Às vezes debruço-me sobre as cisternas, e as vertigens,
e as virilhas em chama.
É a minha vida. Mas essa criança
é tão brusca, tão brusca, ela destrói e aumenta
o meu coração.
No outono eu olhava as águas lentas,
ou as pistas deixadas na neve
de fevereiro, ou a cor feroz,
ou a arcada do céu com um silêncio completo.
Misturava-se o vinho dentro de mim, misturava-se
a ciência na minha carne
atónita. Escuta: cada vez a minha vida
é mais hermética.
Essa criança tem os pés na minha boca
dolorosa.

Se ela um dia adormecer com cerejas junto ao pequeno
respirar, e sonhar
estes imensos arcos que os séculos vão colocando
sob os astros - e se de tudo
a sua cabeça estremecer como numa loucura,
com altos picos em volta, com enormes faróis
acendendo e apagando - escuta: se essa criança
imaginar, e todas as cordas se juntarem tensamente
para que ela invente o seu próprio rio
sem nome -
será ainda que do meu sangue se erguem finas
raízes, e o tenebroso tumulto
das minhas sombras
está no fundo, no fundo da sua ingénua vida,
da sua terrível vida sem remédio.
Se ela morrer, escuta, será que a minha boca
diz lá em baixo
essas majestosas e violentas palavras
dos poemas.

Essa criança que aperta as veias que iluminam
a minha garganta. Ela dorme. Escuta:
a sua vida estala como uma brasa, a sua vida
deslumbrante estala e aumenta.
Se um dia os archotes incendiarem essa boca,
e as faúlhas cercarem
o silêncio tremendo dessa pequena boca, escuta:

a minha boca, lá em baixo, está coberta de fogo.







quarta-feira, 25 de setembro de 2013





Performance multimédia, inspirada na tradição do teatro de sombras Indonésio, Wayang Kulit.

Segundo a mitologia grega, depois de Zeus ter criado os seres vivos, coube a Prometeu e seu irmão Epimeteu a tarefa de atribuir a cada animal variados dons e aptidões naturais; alguns receberam asas, outros, patas velozes, garras afiadas, carapaças de protecção, etc. Quando chegou a vez do homem, que deveria ser superior a todos os animais, Epimeteu esgotara já todos os recursos. Recorre então a Prometeu, que rouba o fogo dos deuses, assegurando desta feita a superioridade dos homens sobre os outros animais. Como punição a Prometeu, Zeus ordena a Hefestos que o acorrente para sempre ao cume do Monte Cáucaso, onde todos os dias uma águia devorava o seu fígado que se regenerava sempre. Aos homens também castiga Zeus, criando a mortal Pandora e enviando-a como noiva a Epimeteu. Juntamente com Pandora, manda uma caixa fechada, contendo um segredo que nunca deveria ser desvendado...”

terça-feira, 24 de setembro de 2013


António Ramos Rosa | 1924 - 2013

Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

LISBOA É POESIA


No Chiado, em Lisboa, de Quarta a Domingo, sob o pretexto da poesia, realizam-se passeios culturais com duas incidências artísticas - a da Fotografia e a da Literatura. Se quer “ir passear”, pode escolher a hora e o dia que lhe interesse, acedendo à "AGENDA_INSCRIÇÃO". Os passeios duram cerca de 90 minutos e custam €10 por pessoa. Saber mais
Email: lisboa.lx.poesia@gmail.com | Tlm: 917021232


Solidão na Cidade e Sonho

O que eu desejo,
ó luarenta cidade»,
disse o rio,
«é que ninguém te toque.»

Imóvel, paredes mestras
afundando-se na sombra.
Ruas prolongadas,
abertas em campo grande,
fechadas em poços negros,
por onde tirita, de febre,
um homem.

Eu, rio apreendido,
captado veio d' água
na rede do espírito
que deambula sem norte.

Qualquer parcela de mim
que pouco a pouco se eleva
no nevoeiro nascente
que do rio sobe
e a cidade cobre.

Nenhum pássaro cantou
na madrugada. Eu corri
contra a força de uma vela,
e tu, árvore imóvel.

Som a tempo, respondi
marulhar d' águas nas folhas
caindo no cais deserto
onde se aproxima um homem.

«O que eu desejo,
ó luarenta cidade»,
disse o rio,
«é que ninguém te toque.

Ruy Cinatti
Tempo da Cidade

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Ilustr. Raymond Briggs
Published Farrar, Straus and Giroux


Spring Nature Notes (I)

The sun lies mild and still on the yard stones.

The clue is a solitary daffodil--the first.

And the whole air struggling in soft excitements
Like a woman hurrying into her silks.
Birds everywhere zipping and unzipping
Changing their minds, in soft excitements,
Arming their wings and trying their voices.

The trees still spindle bare.

Beyond them, from the warmed blue hills
An exhilaration swirls upward, like a huge fish.

As under a waterfall, in the bustling pool.

Over the whole land
Spring thunders down in brilliant silence.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013


NO BAIRRO DAS ARTES




Entre as 19.00H e as 23.00H do dia 19 de Setembro, a Galeria das Salgadeiras e o movimento I Love Bairro Alto promovem a 4ª edição do “Bairro das Artes” com exposições de arte contemporânea, visitas guiadas com artistas e curadores, lançamentos de livros e o mais que der de movimento urbano e cultural no ambiente geográfico e sociológico da 7ª Colina de Lisboa.
21 espaços de partilha de arte – galerias, museus, livrarias – contemporânea dão corpo a esta iniciativa que marca uma proposta particular de rentrée cultural, em Lisboa: Príncipe Real, Bairro Alto e Baixa.

PROGRAMA:

3+1 Arte Contemporânea, Frameworks, Sam Smith
Alecrim 50, Wake Up!, (colectiva) | (visita guiada)
Allarts Gallery, Cores da Serra, Mário Rocha
Arquivo 237, O processo (colectiva)
Atelier-Museu Júlio Pomar, Em torno do acervo (activ.educ. “Movimento de arte postal”), Júlio Pomar
Carpe Diem / Espaço Múltiplo, Múltiplos, Carpe Diem Editions”, José Lourenço
Galeria Bessa Pereira, Playwood (finissage), André Banha
Galeria Bozart, Sombras e silhuetas, Antje Weber / António Casal
Galeria Graça Brandão, (S/ título), Rui Valério
Galeria João Esteves de Oliveira, Moderno e Contemporâneo + Eugénia Mussa (finissage)
Galeria Maria Lucília Cruz, Miniaturas, Inês Paiva Raposo, Arte Urbana, Hagaiel
Galeria Novo Século, Arte no feminino, (colectiva)
Galeria das Salgadeiras, Revoluções, Jaime Vasconcelos
Galeria São Mamede, Escultura, Pedro Moreno Ramos 
K Galeria, Publicações Diário da República, Martim Ramos, Augusto Brázio, Valter Vinagre e Nelson d'Aires
MNAC – Museu do Chiado, Abecedário. 40 anos do Ar.Co, Arte Portuguesa, 1850-1975 | (visita guiada)
MNHNC / Sala do Veado, Nuno Delmas e Heitor Fonseca | (visita guiada)
Projecto MAP, ProjectoMap na Biblioteca Camões (colectiva)
STET, Novas edições – A Stet de portas abertas
Trema, Maria Lisboa, Joana Gancho (sala 2 e 3) | As cores do papel, Fernando Daza (sala 1) 
XYZ Livros e Fotografias, BAIRRO ABAIXO, Correspondências dos anos 70 até amanhã (colectiva) 

terça-feira, 17 de setembro de 2013







Linha K4
(Percursos de autocarro, ainda em Setembro, – 17 | 24 | 27)
O Autocarro Almada Negreiros
Nas comemorações dos 120 anos do nascimento de Almada Negreiros, a Câmara Municipal de Lisboa propõe percursos culturais aos lugares mais representativos de ligação ao artista e à sua obra.

Diário de Notícias, Hotel Ritz, Casa Fernando Pessoa, Igreja do Santo Condestável, Fundação Calouste Gulbenkian, vitrais da Igreja Nossa Senhora de Fátima e de Santo Condestável, fachadas da Reitoria da Universidade de Lisboa e das faculdades de Direito e Letras, Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa dos meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quanto foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer




The Most Famous Illustrators and Their Work

Autores como Christoph Niemann, Andrea Ventura, Jan Van Der Veken, Peter Grundy, Jessica Hische, Jonathan Corum ou Liselotte Watkins, Jan Schwochow, Oliver Jeffers, participam neste acontecimento editorial da Gestalten, propondo uma viagem pelos diversos modos criativos da ilustração que, hoje, tem um raio de acção que abrange áreas tão diversas como o design editorial de jornais e revistas, a publicidade e a moda, a criação autoral

Editores: 

Robert Klanten, Hendrik Hellige
Data: 
Agosto  2013


sexta-feira, 13 de setembro de 2013


SEPTEMBER SONG
Kurt Weil / Lotte Lenya




When I was a young man courting the girls
I played me a waiting game
If a maid refused me with tossing curls
I'd let the old Earth make a couple of whirls
While I plied her with tears in lieu of pearls
And as time came around she came my way
As time came around, she came

Oh, it's a long long while from May to December
But the days grow short when you reach September
When the autumn weather turns the leaves to flame
And you ain't got time for waiting game

When days dwindle down to a precious few
September November,
And these few golden days I'd share with you
Those golden days I share with you

When you meet with the young girls early in the Spring
You court them in song and rhyme
They answer with words and a clover ring
But if you could examine the goods they bring
They have little to offer but the songs they sing
And the plentiful waste of time of day
A plentiful waste of time

Oh, it's a long, long while from May to December
But the days grow short when you reach September
When the autumn weather turns the leaves to flame
One hasn't got time for the waiting game

Oh, the days dwindle down to a precious few
September, November
And these few precious days I'll spend with you
These precious days I'll spend with you