terça-feira, 6 de janeiro de 2015

‘Almeida Garrett - A Viagem e o Património’

Exposição evocativa dos 160 anos da morte do escritor
Até 19 de Abril de 2015

(…) “da vastíssima obra e acção polifacetada de Almeida Garrett, privilegia-se a actividade que exerceu em torno da causa patrimonial”.
“A sua concepção de património, ampla e integrada, permite avaliar esta importante faceta do escritor e do político, repartida entre a educação do gosto, a crítica de arte, a formação e o estatuto social e profissional dos artistas, a salvaguarda dos monumentos nacionais, entre outros importantes aspectos, numa perspectiva progressista e inovadora para o desenvolvimento do país, que se admira pela sua actualidade”, (…) “reuniu-se um conjunto de obras, peças e documentos dos museus, palácios, bibliotecas e arquivos nacionais que, pela sua inquestionável importância, não deveriam deixar de a ilustrar”.

In: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=752009 [da Secretaria de Estado da Cultura]

Capítulo III

“(…) Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos-de-ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. — No fundo de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? — Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já deve de andar orçado o número de almas que é preciso vender ao Diabo, o número de corpos que se têm de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro — seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis(…)”

BD Biblioteca Digital | Col. Clássicos da Literatura Portuguesa

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