terça-feira, 26 de maio de 2015

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem sombra de dúvida, o livro. Todos os outros são extensões do seu corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões da visão; o telefone, da voz; se falamos do arado ou da espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: é uma extensão da memória e da imaginação (…)

Pegar num livro e abri-lo, anuncia a possibilidade do acto estético. O que são as palavras plasmadas num livro? O que são esses símbolos mortos? Nada. O que é um livro se não o abrirmos? É, tão só, um cubo de papel e couro, folhas; mas, ao lê-lo, alguma coisa de raro acontece, acredito que muda de cada vez. Cada vez que lemos um livro ele já mudou, a conotação das palavras é já outra. (…)”

Conferência de Jorge Luis Borges na Universidade de Belgrano, 24 de Maio de 1978 (extractos)

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