quinta-feira, 18 de junho de 2015




Verdade e ilusão democrática

(…) Aprendemos dos livros, e as lições da vida o confirmam, que, por mais equilibradas que se apresentem as suas estruturas institucionais e respectivo funcionamento, de pouco nos servirá uma democracia política que não tenha sido constituída como raiz e razão de uma efectiva e concreta democracia económica e de uma não menos concreta e efectiva democracia cultural. Dizê-lo nos dias de hoje há-de parecer, mais que uma banalidade, um exausto lugar-comum herdado de certas inquietações ideológicas do passado, mas seria o mesmo que fechar os olhos à realidade das ideias não reconhecer que aquela trindade democrática — a política, a económica, a cultural —, cada uma delas complementar das outras, representou, no tempo da sua prosperidade como projecto de futuro, uma das mais congregadoras bandeiras cívicas que alguma vez, na história recente, foram capazes de comover corações, abalar consciências e mobilizar vontades. Hoje, pelo contrário, desprezadas e atiradas para a lixeira das fórmulas que o uso, como a um sapato velho, cansou e deformou, a ideia de uma democracia económica, por muito relativizada que tivesse de ser, deu lugar a um mercado obscenamente triunfante, e a ideia de uma democracia cultural foi substituída por uma não menos obscena massificação industrial das culturas, esse falso melting-pot com que se pretende disfarçar o predomínio absoluto de uma delas. Cremos haver avançado, mas, de facto, retrocedemos. E cada vez se irá tornando mais absurdo falar de democracia se persistirmos no equívoco de identificá-la com as suas expressões quantitativas e mecânicas, essas que se chamam partidos, parlamentos e governos, sem proceder antes a um exame sério e conclusivo do modo como eles utilizam o voto que os colocou no lugar que ocupam (...)”

TEXTO INTEGRAL [Texto inédito, lido numa conferência em Sevilha em 1991, nas comemorações do quinto centenário dos Descobrimentos.]

quinta-feira, 11 de junho de 2015

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA

01 JULHO 2015
BIBLIOTECA MUNICIPAL ALMEIDA GARRETT - PORTO

FINAL NACIONAL

REGULAMENTO
 

A 3ª Fase do CNL vai culminar numa Final Nacional que consiste na realização de uma prova pública em que participarão dois concorrentes de cada Distrito, de cada Região Autónoma e dos apurados pelos estabelecimentos do EPE, do Camões IP, na versão Concurso Internacional de Leitura (CIL).




Tal como em anos anteriores e levando em conta a intenção de promover a leitura nas escolas, o Plano Nacional de Leitura (PNL), em articulação com a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), com a Rede das Bibliotecas Escolares (RBE) e com o Camões IP, realiza a FINAL NACIONAL da 9ª Edição do CNL, 2014/2015.

Vão comparecer às provas da Semifinal, os vencedores das provas da 2ª Fase / Fase Distrital. Estas provas serão realizadas no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto [localização no final do documento] no dia 01 de Julho de 2015.

Das provas a realizar, serão apurados cinco (5) finalistas por cada Nível de Ensino, que serão ordenados, na Final Nacional, por três Vencedores (1º / 2º / 3º) e duas Menções Honrosas.

As provas obedecem, em 2015, a um formato de programa específico, RTP, e remete para os conteúdos das obras propostas para esta fase:

3º Ciclo

A Mulher que Prendeu a Chuva e Outras Histórias | Teolinda Gersão

Sonho de uma noite de Verão | Shakespeare
Ensino Secundário

Admirável Mundo Novo | Aldous Huxley
O Delfim | José Cardoso Pires


JÚRI DA PROVA FINAL

1.    O Júri Nacional é constituído pelo Comissário do PNL, que será presidente, e por representantes da DGLAB, da RBE, do Camões IP e da RTP e um convidado.
2.    O Júri reserva-se o direito de intervir em quaisquer questões relativas ao número, conteúdo, forma e correção das provas, bem como o de tomar qualquer decisão de supressão, modificação ou manutenção de tais provas.
3.    O Júri é soberano, não sendo possível, em circunstância alguma, recorrer das suas decisões.
4.    Compete ao Júri Nacional decidir sobre quaisquer matérias omissas neste Regulamento.
PRÉMIOS

Cada participante na Final Nacional receberá um prémio de presença e um certificado nominal de participação.
Os três primeiros classificados de cada uma das duas categorias – 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário – serão os grandes vencedores e receberão prémios a anunciar. O mesmo acontecerá com duas menções Honrosas em cada nível de ensino.

PROGRAMA

SEMIFINAL – 01 de Julho de 2015 (manhã)

10:00 – Abertura do Secretariado da Fase Final do CNL 2015
10:30/11:15 Prova escrita para os 42 finalistas (3º C + Ens. Sec.) - auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett
[5 questões - Verdadeiro/Falso | 5 questões – Escolha Múltipla |Escrita de Texto criativo sob tema determinado] (intervenções em direto RTP)
11:20 – Saída de Autocarro para os Paços do Concelho
11:30 – Visita aos Paços do Concelho
12:00 – Receção pelo Senhor Presidente nos Paços do Concelho na Sala Dª. Maria, (ou Vereador da Cultura) ao Júri Nacional, alunos finalistas e professores acompanhantes
12:20 – Almoço na Cantina, junto ao Gabinete do Munícipe (alunos, EE, professores)
13:00 Visita guiada para dar a conhecer pormenores da cidade do Porto, nomeadamente os Aliados

FINAL – 01 de Julho de 2015 (tarde)

14: 00 Início do programa RTP - Apresentação do Júri Nacional e dos Concorrentes.
14: 10/15h30 – Prestações dos cinco (5) finalistas do 3º Ciclo - formato RTP, moderado por José Carlos Malato.
14:10 Convite para visita à BMAG /Galeria Municipal “Tesouros do Fotografia Portuguesa do Século XIX”, e Museu Romântico para os alunos do ES.  
15:45 /17:00 – Prestações dos cinco (5) finalistas do Ens. Secundário - formato RTP, moderado por José Carlos Malato.
15:40/16:40 Possibilidade de visita à BMAG /Galeria Municipal “Tesouros do Fotografia Portuguesa do Século XIX”, e Museu Romântico para os alunos finalistas do 3º ciclo do Ensino Básico
17:10 – Chamada ao palco de todos os professores, pais/EE, parceiros e patrocinadores. Anúncio dos vencedores por ciclo de ensino e entrega dos prémios aos 3 primeiros classificados por ciclo de ensino e menções honrosas.
17:15 Sessão de Encerramento com o Senhor Vereador da Cultura (ou Drª. Olga Maia).

PROVAS FINAIS

A Fase Final desta 9ª Edição do CNL insere-se num programa específico produzido pela RTP.

Os finalistas, sujeitos à apreciação do Júri Nacional, terão intervenções em três planos distintos:

- Leitura expressiva de excerto breve
- Desafio ao poder de argumentação, a partir de um tema proposto 
- Breve dramatização referente ao conteúdo da obra lida


CLÁUSULAS ESPECÍFICAS


1.       Todas as despesas que vierem a resultar da participação dos alunos selecionados serão planificadas e assumidas, num primeiro momento, pelas próprias coordenações do CNL, nas escolas. Num segundo momento e após envio dos comprovativos, serão oportunamente ressarcidas.

2.       As despesas de deslocação e alojamento são suportadas pelo Plano Nacional de Leitura, nos seguintes termos:
Deslocação - Ida e volta para todos os concorrentes com exceção dos que se deslocam dos Açores, da Madeira e dos EPEs.
Alojamento -em Hotel*** com pequeno-almoço incluído | quarto duplo sempre que possível] - para os concorrentes e 1 acompanhante dos Distritos de: Bragança | Vila Real |Guarda | Castelo Branco | Viseu | Portalegre | Leiria | Lisboa | Santarém | Setúbal | Beja | Évora | Faro

3.       As Direções Regionais de Educação da Madeira e dos Açores suportarão as despesas de deslocação e estada dos concorrentes presentes à Final Nacional.

4.       O Camões, IP suportará as despesas referentes à viagem e ao alojamento dos alunos concorrentes à Final Nacional, em Portugal e de um professor acompanhante para cada um dos alunos.

5.       No caso de serem selecionados para as Provas Finais, os candidatos menores de 16 anos não poderão participar sem a autorização expressa dos Encarregados de Educação.

6.       É interdita a participação a familiares diretos dos membros dos Júris de cada uma das fases do concurso.

Consultas e apoios

www.planonacionaldeleitura.gov.pt e (e-mail)
www.instituto-camoes.pt/
www.rbe.min-edu.pt/

BICICLETA

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.

O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e desaparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.

De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.

Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.

Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um verão interior.

Herberto Helder, in "Poesia Toda" assírio & alvim, 1981

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dia Mundial do Ambiente

Sete Biliões de Sonhos
Um planeta
Consumir com Cuidado

A celebração do Dia Mundial do Ambiente teve início em 1972.

Em 2015, o tema da celebração do AMBIENTE  alerta para os impactos do consumo

segunda-feira, 1 de junho de 2015

  

OBRAS A LER

3º Ciclo



Ens. Secundário

Admirável Mundo Novo' | Aldous Huxley

'Delfim' | José Cardoso Pires

"Declaração dos Direitos da Criança"
Organização das Nações Unidas - 1959

Toda criança será beneficiada por estes direitos, sem nenhuma discriminação de raça, cor, sexo, língua, religião, país de origem, classe social ou situação económica. Toda e qualquer criança do mundo deve ter os seus direitos respeitados!
Todas as crianças têm direito a protecção especial e a todas as facilidades e oportunidades para se desenvolver plenamente, com liberdade e dignidade. As leis deverão ter em conta os melhores interesses da criança.
Desde o dia em que nasce, toda a criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade, ou seja, ser cidadão de um país.
As crianças têm direito a crescer e criar-se com saúde. Para isso, as futuras mães também têm direito a cuidados especiais, para que os seus filhos possam nascer saudáveis. Todas as crianças têm também direito a alimentação, habitação, recreação e assistência médica.
Crianças com deficiência física ou mental devem receber educação e cuidados especiais exigidos pela sua condição particular. Porque elas merecem respeito como qualquer criança.
Toda a criança deve crescer num ambiente de amor, segurança e compreensão. As crianças devem ser criadas sob o cuidado dos pais, e as mais pequenas jamais deverão separar-se da mãe, a menos que seja necessário (para bem da criança). O governo e a sociedade têm a obrigação de fornecer cuidados especiais para as crianças que não têm família nem dinheiro para viver decentemente.
Toda a criança tem direito a receber educação primária gratuita, e também de qualidade, para que possa ter oportunidades iguais para desenvolver as suas habilidades. E como brincar também é uma boa maneira de aprender, as crianças também têm todo o direito de brincar e de se divertir!
Seja numa emergência ou acidente, ou em qualquer outro caso, a criança deverá ser a primeira a receber protecção e socorro dos adultos.
Nenhuma criança deverá sofrer por negligência (maus cuidados ou falta deles) dos responsáveis ou do governo, nem por crueldade e exploração. Não será nunca objecto de tráfico (tirada dos pais e vendida e comprada por outras pessoas). Nenhuma criança deverá trabalhar antes da idade mínima, nem deverá ser obrigada a fazer actividades que prejudiquem sua saúde, educação e desenvolvimento.

10º A criança deverá ser protegida contra qualquer tipo de preconceito, seja de raça, religião ou posição social. Toda a criança deverá crescer num ambiente de compreensão, tolerância e amizade, de paz e de fraternidade universal.