quarta-feira, 29 de julho de 2015


CONSULTÓRIO DE POESIA

ARMAÇÃO DE PÊRA

No âmbito do programa Bandeira Azul, a BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SILVES e o seu

SECTOR DE EDUCAÇÃO realiza, durante Julho e Agosto e pela 3ª vez, uma acção de

promoção da leitura de poesia nas praias  de  Armação de Pêra e Praia Grande –

Consultório de Poesia.



A justificação para esta acção reside no entendimento de que a poesia ajuda a melhorar

o autoconhecimento e a fazer avaliações mais eficazes dos outros e das  situações.

Poesia na praia, a exemplo de outras actividades, eis como o Verão pode ser um pouco

mais saudável do que é hábito.




YO VEO LO QUE TU NO VES

ARTE E AUTISMO


Estará presente, até 20 de Setembro de 2015, na Caixa Forum, Madrid, a exposição YO

VEO LO QUE TU NO VES. 

Trata-se de uma mostra de trabalhos realizados por pessoas com DEA (Desordens do 

Espectro Autista) que, revelando uma excepcional sensibilidade artística, dão forma a  


uma actividade criativa transbordante e a uma imaginação sem limites.

Segundo Miguel Gallardo (Comissariado) “Talvez o mais significativo sobre as autistas que  
fazem arte seja que, não conhecendo os filtros culturais, isso faz com que se pareçam  

com as crianças ou  com os génios de arte.”

Nesta mostra estão presentes as obras de 50 artistas que, certamente, nada saberão 

sobre arte naif, pop ou expressionista mas que, mesmo assim, manejam linguagens sem  

terça-feira, 28 de julho de 2015


A VERDADE NÃO EXISTE


Ilustración de Fernando Vicente.

“A aliança entre realidade e literatura é um matrimónio tão frágil quanto fantasioso. Três grandes autores, J.M.Coetze, Janet Malcom e David Schields reflectem sobre ele.

Verdade ou versão? A aliança entre realidade e literatura, entre o vivido e o narrado, é um matrimónio tão definitivo quanto hesitante e fantasioso. Ou pode alguém, porventura, por as mãos no fogo pela fidedignidade de uma lembrança, de uma história, ou pela originalidade de uma frase, de uma trama, de uma obra? As sensações podem merecer que se acredite nelas, mas nem por essas! Os episódios quer da vida pessoal quer da alheia, ao serem transpostos para o ISBN, podem ser espelhos côncavos daqueles que não são dignos de crédito. As razões últimas da criação estão, eventualmente estão, na deformação (…)”

in: http://cultura.elpais.com16.07.2015 

(excerto traduzido)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

FÉRIAS DE VERÃO

SERRALVES




Entre as 09h30 e as 17h00, de 06 de Julho a 04 de Setembro de 2015, cumpre-se em

Serralves, um programa escolar de férias, para crianças dos 4 aos 12 anos de idade que, 

no contacto directo com a arte e a natureza, busca experienciar, em grupo, aprendizagens 

com foco na curiosidade e na busca criativa. 

domingo, 26 de julho de 2015



Festival Ibérico de Arte e Ação



Por iniciativa conjunta da BINAURAL/NODAR, do Município de S. Pedro do Sul e da 

organização ESPÍRITOS INQUIETOS, vai decorrer nesta cidade, entre os dias 31 de Julho 

e 2 de Agosto próximos um Festival Ibérico de Arte e Ação, OCUPAI, (bienal) que busca 

celebrar a liberdade de expressão no ‘espaço público urbano’ - ser-no-tempo-e-no-

espaço de uma região do interior no século XXI.





quarta-feira, 15 de julho de 2015







Ideia Chave
Uma Pessoa = Uma Árvore por Ano

O Sonho
O projeto tem como sonho a utopia que esteve na sua génese, levar a que cada pessoa plante uma árvore por ano, procurando através das suas iniciativas proporcionar essa oportunidade e alargando-a a todos os cidadãos e à totalidade do território nacional, para quem sabe depois servir de modelo ao mundo.

O Mote
O que Somos é o que Fazemos e o que Fazemos é o que o Ambiente nos faz Fazer [John Watson]

Palavras-chave
Floresta Nativa, Espécies Autóctones, Reflorestação, Responsabilidade Social e Ambiental, Cidadania Participativa, Educação e Consciência Cívica e Ambiental, Partilha de Valores, Cooperação, Cultura de Transição, Economia Ambiental, Desenvolvimento e Sustentabilidade.

Expressões Chave

A natureza deste projeto é plantar sonhos e emoções; Damos raízes à responsabilidade ambiental e cívica; Fazemos florescer a consciência cívica e ambiental; Os nossos troncos são a ecologia e a sustentabilidade; Consigo criamos património natural para todos; Colocamos nas mãos de todos as ferramentas da cidadania participativa em prol da sustentabilidade, Fazemos germinar um futuro mais verde pela cooperação e partilha de valores; Fertilizamos a cultura de transição.

terça-feira, 14 de julho de 2015


Festival de Almada
Uma edição rara

Contando com a presença de ‘celebridades’ do mundo do teatro como Peter Stein, Katie Mitchell, Matthias Langhoff ou Christoph Marthaler, decorre em Almada (e Lisboa), até 18 de Julho, a 32ª edição do Festival de Almada que inclui, nas suas 27 produções, de novo, o reconhecido Berliner Ensemble.

O PROGRAMA lança, este ano, um olhar atento ao novíssimo teatro espanhol. Destaques, também, para a programação nacional que conta com duas estreias absolutas; para a estreia de Hamlet, em coprodução e com encenação de Luís Miguel Cintra; para a estreia da ópera ‘Quatro Santos em Três Atos’ a partir de Virgil Thomson e do libreto de Gertrud Stein e com dramaturgia de Luísa Costa Gomes; para a multímoda reflexão sobre a relação entre teatro e arquitetura.


O Festival, na presente edição, homenageia Rogério de Carvalho, como actor e encenador e dedica-lhe uma exposição/instalação. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015


4 a 12 de Julho de 2015

Destaques

·      antestreia nacional de “As Mil e Uma Noites”, com Miguel Gomes
·      filme-concerto dos norte-americanos Lambchop
·       retrospetiva de Quentin Dupieux
·       antestreia mundial de cinco produções do Festival




COMPETIÇÕES

Nacional - 19 filmes de produção recente em estreia nacional, animação, ficção e documentário, em 5 sessões com desdobramento.

Internacional - 35 filmes de todo o mundo (21 países representados) até 60 minutos, ficção, animação e documentário, em 9 sessões com desdobramento.

Experimental - 24 filmes de 12 países

RUINS/ RITES/ RUNES
Ben Rivers e Ben Russell

STEREO - 5 filmes-concerto - Frankie Chavez, Garcia da Selva (com Norberto Lobo), Bruno Pernadas Quinteto, You Can’t Win, Charlie Brown, Lambchop.

SHORT MATTERS! - Seleção de curtas metragens nomeadas para os European Film Awards em 2014.

PANORAMA NACIONAL - 1 sessão, com curtas metragens portuguesas.

PANORAMA EUROPEU - Seleção de curtas de países europeus: Holanda,
Grécia, Roménia, Lituânia, Polónia, Eslovénia e Alemanha.

TAKE ONE! - Competição de filmes de escola, masterclasses, showcase

CURTINHAS - Competição de curtas para crianças, oficinas para pais e filhos.


CLUBE DO FESTIVAL - A partir da meia noite, funcionará em vários espaços da cidade, de 4 a 11 de julho.

quarta-feira, 8 de julho de 2015




FINADOS (MANTRA DO ESCRITOR OBCECADO)

Cervantes morreu em 22 de abril de 1616.
Shakespeare o acompanhou um dia depois, 23 de abril de 1616.
Sterne R.I.P. em 18 de março de 1768.
No século seguinte, também em março, dia 22, do ano de 1832: Goethe.
Flaubert tinha então dez anos, e 58 ao parar de envelhecer, em 8 de maio de 1880.
Machado foi fazer companhia a Brás Cubas no dia 29 de setembro de 1908.
Mais dois anos e Tolstoi perdeu a guerra, tomara que para encontrar a paz: 20 de novembro de 1910.
Em 3 de junho de 1924 foi a vez de Kafka sair da vida, mas aquilo era vida?
Joyce começava então a escrever o Finnegans Wake. Em 13 de janeiro de 1941, levou-o a peritonite.
Rosa completou sua travessia de homem humano em 19 de novembro de 1967, três dias depois de virar imortal.
Em 1977, Nabokov se foi em 2 de julho e Clarice em 9 de dezembro, no pós-parto de Macabéa, um dia antes de completar 57.
Conclusão: escrever é tão perigoso quanto viver.
E eu mesmo não estou me sentindo muito bem.



http://nonleia.blogspot.pt/


“Photomaton & Vox”


(é uma dedicatória)
Se alargas os braços desencadeia-se uma estrela de mão
a mão transparente, e atrás,
nas embocaduras da noite,
o mundo completo treme como uma árvore
luzindo
com a respiração. E ofereces,
das unhas à garganta
talhada, a deslumbrante queimadura do sono.
— Em teu próprio torvelinho se afundam
as coisas. Porque és um vergão raiando entre
esses braços
que irrompem da minha morte se durmo, da loucura
se a veia
violenta que me atravessa a cabeça se torna
ígnea como
um rio abrupto num mapa. Quando as salas
negras fotográficas
imprimem a sensível trama das estações
com as paisagens por cima. E
jorras
desde as costas dos espelhos, seu coração
arrancado pelos dedos todos de que se escreve
o movimento inteiro.
Nunca digas o meu nome se esse nome
não for o do medo. Ou se rapidamente o lume se não repartir
nas formas
lavradas como chamas à tua volta. Os animais
que essa labareda ilumina
na boca. Desde a obscuridade
de tudo que tudo
é inocente. Nunca se pode ver a noite toda de súbito.
E da fronte aos quadris em tuas linhas, és
cega, fechada.
A minha força é a desordem. Reluzes
na têmpera enxuta — queima-te.
O ouro desloca a tua cara. Um nervo
atravessa as frementes, delicadas massas
das imagens:
como uma ferida límpida desde a nascença pela carne
fora. És alta em mim por essa
cicatriz que se abre ao dormir e quando
se acorda fica aberta.
— Esta
espécie de crime que é escrever uma frase que seja
uma pessoa magnificada.
Uma frase cosida ao fôlego, ou um relâmpago
estancado
nos espelhos. E às vezes é uma raiz engolfada, e quando toca
a fundura das paisagens, as constelações mudam
no chão. A truculência
que se traça como uma frase na pessoa, uma queimadura
branca. Porque ela mostra as devastações
magnéticas
da matéria. Na frase vejo os fulcros da pessoa.
Por furos acerbos as estações que se escoam
e a inquebrantável
paisagem que as persegue por dentro. A frase
que é uma pálpebra
viva
como roupa fechada sobre a radiação das veias.
Que é uma cara, uma cratera.
Ou um hausto animal das unhas à testa
onde
fulguram os cornos em coroa.
E esta massa ofegante é queimada por um
suspiro, um alimento brutal.
O teu rosto cerca-me, a minha
morte cerca o teu rosto como uma clareira
pulsando
na luz cortada. A pessoa
que é uma frase: astro
rude cruamente encordoado entre as omoplatas.
Como se um nervo cosesse todas as partes pungentes e selvagens
da carne. Como
se a tua frase fosse um buraco brilhando até aos pulmões,
com o sangue e a língua
na minha garganta. A beleza que te trabalha
deixa-te
árdua e intacta
no mundo, entre esse sangue estrangulado na minha memória.
Herberto Hélder

[in «Photomaton & Vox» — 5.ª edição revista e aumentada; Assírio & Alvim]