quarta-feira, 7 de setembro de 2016


ARDE EL MAR

Oh ser un capitán de quince años
viejo lobo marino las velas desplegadas
las sirenas de los puertos y el hollín y el silencio en las barcazas
las pipas humeantes de los armadores pintados al óleo
las huelgas de los cargadores las grúas paradas ante el
                                                                         [cielo de zinc
los tiroteos nocturnos en la dársena fogonazos un cuerpo
                                                                         [en las aguas 

con sordo estampido
el humo en los cafetines
Dick Tracy los cristales empañados la música zíngara
los relatos de pulpos serpientes y ballenas
de oro enterrado y de filibusteros
un mascarón de proa el viejo dios Neptuno
una dama en las Antillas ríe y agita el abanico de nácar
                                                                                [bajo los
    cocoteros.

                                 
                                           Pere Gimferrer, de Arde el mar, 1966

(ARDE O MAR
Oh ser um capitão de quinze anos / velho lobo do mar as velas desfraldadas / as sirenes dos portos e a ferrugem e o silêncio nas barcaças / os cachimbos fumegantes dos armadores pintados a óleo / as greves dos estivadores as gruas imóveis contra o
[céu de zinco / os tiroteios noturnos na doca clarões um corpo
[à água / com um estampido surdo / o fumo nos botequins / Dick Tracy os vidros baços a música cigana / as histórias de polvos serpentes e baleias / de ouro enterrado e de filibusteiros / um mascarão de proa o velho deus Neptuno / uma dama nas Antilhas ri e agita o leque de nácar

[sob os coqueiros)

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