segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SONNET 28

How can I then return in happy plight,
That am debarred the benefit of rest?
When day’s oppression is not eased by night,
But day by night and night by day oppressed?
And each (though enemies to either’s reign)
Do in consent shake hands to torture me,
The one by toil, the other to complain
How far I toil, still farther off from thee.
I tell the day to please him thou art bright,
And dost him grace when clouds do blot the heaven;
So flatter I the swart-complexioned night,
When sparkling stars twire not thou gild’st the even.
  But day doth daily draw my sorrows longer,
  And night doth nightly make grief’s length seem stronger.

Shakespeare

in: Complete Sonnets and Poems, Ed. Colin Burrow, Oxford University Press, 2002.





Soneto 28

Posso voltar à leda condição
sem ter descanso ao menos que me anime?
O dia oprime e vir a noite é vão,
a noite ao dia, o dia à noite oprime,
reinos adversos que em consentimento
se dão as mãos a torturar-me-me e basta,
um por fadiga, o outro por lamento
de mais penar que mais de ti me afasta.
Que és claro digo ao dia a ver se agrado,
que lhe dás graça indo as nuvens altas,
e à noite lisonjeio o turvo estado,
que a não haver estrelas tu a esmaltas.
  Longas penas diárias traz-me o dia,
  maior pena noturna a noite cria.

Vasco Graça Moura
in: Os Sonetos de Shakespeare, versão integral
Bretrand Editora, Lisboa, 2007

Sem comentários:

Enviar um comentário